BBQ na veia – Boca no Mundo
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08 de março de 2013

BBQ na veia

Por circunstâncias do destino, já cheguei a ter cinco vidros de molho barbecue na geladeira. Exagero de um velho fã de bons molhos, inclusive os industrializados. Certas mostardas de Dijon chego ao ponto de comer de colher, como se fossem iogurtes. Mas essa é outra história.

Analisamos nove marcas de molhos do tipo barbecue presentes nas prateleiras dos mercados brasileiros, importadas ou nacionais. Brincadeira deliciosa para a hora das costelinhas de porco, dos hambúrgueres caseiros, frangos ou qualquer coisa que der na telha.

Catlemen’s ‘Kansas City Classic’. O nome já diz, o clássico ‘made in USA’, tem um site bacana que agrega comunidade de churrasqueiros, receitas e videos, enfim, um recanto de viciados. Tem sabor defumado mais acentuado e bom equilíbrio entre o doce e o picante, consistência mais cremosa de todos, se sai muito bem também nos hambúrgueres caseiros.

Tiptree, Wilkin & Sons. Um inglês entre os ‘yankees’, com jeitão de chutney. A empresa, de menor produção e estilo artesanal, é plantadora de frutas e produtora de geleias. É o mais doce de todos, embora com notas ácidas, e a consistência é mesmo de geleia, difícil até de sair da garrafa. Na fórmula, curiosidades como ‘pimentões vermelho e verde’, perceptíveis ao fundo, no paladar. Estilo distinto, lembra molhos agridoces orientais.

Bazzar. Segue o estilo dos molhos frescos e caseiros feitos pelo restaurante carioca que já vende temperos na França. Chama a atenção, logo que abrimos a tampa, pelo aroma de especiarias ‘quentes’ indianas, bem equilibradas com a doçura, a acidez e, na fórmula, um toque especial: whisky, sublinhando a força aromática.

Black Swan. “Before BBQ there was… Black Swan”, diz a embalagem. É um ‘red sauce’, seguindo o estilo dos molhos da Carolina do Norte. Seu poder está na pimenta acentuada, quem não gosta dela pode esquecer a marca. É perceptível o sabor da pimenta vermelha fresca, sobre outras pimentas. Muita personalidade.

Hemmer.  Representante do tradicional fabricante de molhos nacional, cujos produtos estão entre os melhores produzidos no País, o barbecue da Hemmer leva na fórmula, em dose caprichada, o principal produto da empresa: a mostarda escura, estilo alemã.  Ponto para a personalidade de um molho consistente e de coloração que fica entre o vermelho da polpa de tomate e a tonalidade escura da mostarda. Um barbecue para croquetes ou pão com linguiça.

Hunt’s Original. Mais um representante americano encorpado, que tem o melaço entre os adoçantes na composição e cai um pouco menos para o defumado do que seus conterrâneos, preferindo a doçura e apresentando boa acidez. Certamente um bom molho para marinadas.

Heinz Original. De fabricação nacional, é o clássico da marca, bem diferente do ‘regular’ analisado neste página, importado, que vem na garrafa com a tampa na parte superior. O molho é escuro e encorpado, denso, equilibrando o alto dulçor de ênfase no melaço com acidez que provoca saliva. Pela potência, é certamente um exemplar indicado para marinadas, ou como ‘dip’ para sua larica preferida.

Heinz Regular. A multinacional apresenta um barbecue diferente e muito interessante, aromático e com especiarias picantes mais presentes. Na fórmula há detalhes como ‘sementes de aipo’. Um pouco mais líquido que os outros e mais ácido, com pequenos pedaços de ervas secas aparentes no molho. Vale a pena conhecer.

Hunt’s Honey Mustard Barbecue. Falta um pouco de consistência na textura do molho da Hunt’s que anuncia mostarda e mel mas abdica do sabor da primeira, prevalecendo a doçura. Especiarias dominam a boca, com acento no cominho. O molho traz um inesperado vinho branco na fórmula que carece de equilíbrio. Foi o que menos agradou na degustação.




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