Pratos e vinhos do Jantar com as Estrelas no Cipriani – Boca no Mundo
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26 de setembro de 2016

Pratos e vinhos do Jantar com as Estrelas no Cipriani

A pequena horta de nabo e chuchu brotando na louça, dádiva da sementeira do chef Rafa ‘Lasai’ Costa e Silva (foto acima), talvez tenha sido o prato principal de uma noite de pinturas culinárias em perfeita execução, como se cada um dos seis cozinheiros – ou sete, com o mago dos pães Marcos Cerutti – estivesse em seu próprio restaurante.

Não é para menos, quando falamos de um time formado por todos os chefs agraciados no Rio com uma estrela Michelin, reunidos na espaçosa cozinha do Cipriani, no Belmond Copacabana Palace, para uma noite com a renda totalmente revertida para o Solar Meninos de Luz – ONG que cuida de jovens em situações de risco.

O menu de seis cursos do Jantar com As Estrelas foi acompanhado pelos pães do S.p.A Pane e vinhos doados por lojas como a Confraria Carioca, em harmonização assinada por Ed Arruda, o sommelier executivo do Copa.

Rosa de Bordeaux

Meu casamento da noite, aliás, ocorreu em surpresa entre um peixe e um rosado cheios de personalidade. O vermelho com couve flor e molho de peixe assado de Joachim Koerper (Eleven), e o Marquis de Bordeaux Rosé 2014, vinho de St-Emilion com agradável mineralidade e talhado para a mesa – fará boa companhia inclusive a carnes leves.

O Marquis, soube depois, é um projeto de Jean Moueix, enólogo e proprietário do Château Petrus. O rosé leva 65% de cabernet franc e 35% de merlot, e segue a filosofia da fabricação ‘natural’, com pouca intervenção.

E que beleza acompanhar prato e vinho com fatias da ciabatta de Marcos Cerutti, feita conforme a receita anciã do ‘pane d’acqua’, pão nascido nas aldeias italianas em tempos de escassez de farinha, delícia crocante e aerada que lembra na boca o efeito do biscoito de polvilho.

O Segredo do Ovo

A festa seguiu com a presença de Roland Villard, e que bom encontrar o grande chef após sua saída do Sofitel. Sempre criativo e desafiador, trouxe à mesa o lagostim com beterraba, purê de brócolis e algas.

Nas taças, fui apresentado ao espumante brasileiro Casa Pedrucci Rosé Brut 2012 e seu frutado intenso de gamay e pinot noir, produção de apenas 5 mil garrafas.

O prato de Rafa Costa e Silva (Lasai) trouxe o chuchu assado com muitas ervas em fatias entrelaçadas com nabo da horta do chef, castanhas brasileiras e mascarpone cremoso. Um vinho simples e fresco amparou a sinfonia vegetal: o italiano Pinot Grigio Corte Giara Allegrini 2014, branco do Vêneto.

Thomas Troisgros (Olympe) trouxe uma das infalíveis tramas acolhedoras do repertório familiar. O ovo mole com purê de azedinha, crumble de parmesão e espuma de galinha. Quem nasceu primeiro? No caso, o sabor, com a acidez pronunciada pelo toque fermentado de um kimchi de acelga. O segredo está no azedo.

O Somontes Colheita Branco 2014, vinho portugês do Dão, contribui com doses de acidez, frescor e vivacidade.

O prato mais badalado da cozinha quente do Mee encerrou a série salgada, a cargo do chef Kazuo Harada: a costela de wagyu em assado lento com purê de abobora japonesa, togarashi (mix de especiarias) e o molho da carne.

Bem acompanhada pelo Fabre Montmayou Reserva Cabernet Franc, argentino de Mendoza com madeira pronunciada e intensas notas de frutas escuras.

Felizes Para Sempre

Ao final, Roberta Sudbrack revelou que já tem 11 anos de idade (!) o seu cannelloni de maçã com farinha de pistache e licuri, sobre ‘consomeé’ de caramelo toffee, uma coisa de doido. O Porto Taylor 20 Anos, um néctar daqueles que a gente agradece aos céus a cada vez que bebe, trocou alianças ali mesmo com a sobremesa que esperávamos desde o começo.




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