Cecchini in Rio: a noite da bisteca – Boca no Mundo
Home » Restaurantes » Cecchini in Rio: a noite da bisteca
18 de março de 2014

Cecchini in Rio: a noite da bisteca

Apenas a carne e o fogo, em rápido e preciso encontro. A bisteca como veio ao mundo, após o soar da corneta do açougueiro que sobe na mesa para discursar (às vezes canta) e maneja suas facas entre os ossos num balé veloz que aguça o apetite.

É um sonho antigo visitar na Toscana a Antica Macelleria, açougue e restaurante de Dario Cecchini, o mestre italiano das carnes. Mas dessa vez a montanha veio a Maomé.

Quase dois metros de altura, ombros largos e braços fortes, tipo perfeito para um temido mafioso do cinema, Dario é na verdade o oposto de um fora da lei.

Atencioso e carismático, fala apenas italiano mas compreende o português, e conquista o interlocutor antes da primeira garfada. Sempre ao lado da mulher e tradutora, exala a alegria e a generosidade dos italianos que vivem para transformar comida em festa.

Officina

Sua alegria era nítida no salão lotado do restaurante Pobre Juan, no Fashion Mall, casa de ponta entre as brasileiras do gênero, justamente aprovada por um do ‘carnívoros’ mais famosos do mundo.

O cenário armado para receber na mesa as carnes do menu Officina della Bistecca, o principal oferecido pelo açougueiro na Itália, trazia apenas pão e hortaliças frescas como cenoura, cebola roxa e finochio (erva doce).

Ao longo do percurso surgiram feijões brancos toscanos e batata assada com a ‘Manteiga de Chianti’, creme que leva banha de porco temperada com alho e ervas, servida no início sobre fatias de pão.

Nas taças, sangria de boas vindas e o tinto Chianti Classico Tenuta Sant’Alfonso, terminando com grappa Alexander. Na retaguarda, as águas bacanas da S. Pellegrino, patrocinadora do evento.

Servido na Itália a 50 euros, o menu veio completo e custou a mais ou menos a mesma coisa no Pobre Juan: R$ 180.

Clique e confira aqui a entrevista com Dario Cecchini.

Ode Bovina

Quem deu a largada foi o Chianti Crudo, o tartare de Dario com a carne apenas temperada levemente com azeite, sal, pimenta, limão e raspas de laranja. Batido na mão e na faca, de textura rústica e revelador da qualidade e do frescor da matéria prima bovina.

Em seguida, conhecemos o Brustico: o tartare selado na brasa, maravilhoso, como um hambúrguer mal passado e despedaçado no prato.

E os três cortes nada menos do que perfeitos em ponto e sabor, do gado Hereford acalentado pelo Pobre Juan: A Costata alla Fiorentina, filé de costela com osso, a Bisteca Panzanese, naco macio retirado do alto da coxa do animal, e a esperada Bisteca alla Fiorentina.

Detalhe: as carnes são grelhadas sem tempero algum, e potinhos de sal fino e temperado aguardam na mesa, a gosto do freguês.

A noite feliz ainda traria, na última etapa, um macio e desconhecido bolo de azeite, com pinoles por cima e calda leve no prato, que o pessoal comeu suspirando.

Prometi a Dario que o visitaria o quanto antes na Toscana. Maomé precisa conhecer a montanha.

Clique e prove aqui o exclusivo Wagyu em grau 7 de marmorização.




Nossa Casa

 

Se você não faz fotossíntese, veio ao lugar certo.

 

Boca no Mundo é o blog do jornalista Pedro Landim.

 

Um lugar para quem adora comer, beber, cozinhar, e falar de comida.

 

Sejam muito bem-vindos.