Rio de frutas escuras – Boca no Mundo
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10 de março de 2013

Rio de frutas escuras

Um almoço tardio sob o sol de Mendoza, com 20ºC nos termômetros e roupas de algodão, pode se transformar em poucas horas em jantar a -10º. E manda descer gorros, luvas e tintos.

Que venham as chuvas de Malbec, porque água lá não cai. E do alto de até 2.500m acima do mar com as uvas plantadas, a Argentina contempla o mundo.

Lendo postagens antigas da versão anterior do blog, relembro degustação ocorrida há dois anos que persiste na memória, como na boca se ampliam certos ícones deste país tão próximo.

E bem dizia o jornalista, escritor e professor de vinhos Marcelo Copello, o anfitrião, que não se entende a Malbec sem mergulho no tango e sua intensidade, nas carnes e na cultura argentina. A uva de vinhos escuros que expressa como poucas a alma vinícola de um país.

Resumindo, no estilo Paulinho da Viola: foi um rio de frutas escuras, aromas generosos e sabores opulentos que passou em minha vida, e meu coração se deixou levar.

Apresentados às cegas, taças numeradas de 1 a 10, eram vinhos das safras 2004, 2006 e 2007, entre varietais 100% Malbec e ‘blends’ com a referida casta. Todos com algum tempo de garrafa pela frente, mas prontos para impressionar.

Muita calma nessa hora para sentir as diferentes direções sugeridas pelas taças, às vezes de forma discreta, outras alterando radicalmente a trajetória do gole anterior.

Objetivo: formar um ‘pódio’, votando nos três melhores sem conhecer os rótulos. Ligeiramente embriagado, e tentando encontrar a saída no labirinto, acabei tendo dois de meus preferidos no trio campeão da noite.

Meus eleitos

1º – Cheval des Andes 2006. Fruto da união da Terrazas de Los Andes e Chateau Cheval Blanc, França e Argentina num corte de 60% Malbec, 35% Cabernet Sauvignon e 5% Merlot.

2º – Bramare Malbec 2007. Pérola da Viña Cobos, 100% Malbec de vinhedos de 50 anos, com 18 meses de barrica. Perfeita tradução da uva.

3º – Finca Bela Vista 2007. Outro 100% Malbec da infalível bodega Achaval Ferrer, com 15 meses em barricas novas francesas, produção de 10 mil garrafas.

Os vencedores

O Bramare foi o campeão do evento. Potência com elegância e aromas de frutas escuras, uvas cultivadas em altitude superior a 1.000 metros.

Medalha de prata para o Viña Fausto Orellana de Escobar, da bodega Trapiche (Malbec 100%). Segundo os desgustadores, fruta fresca e pimenta no aroma. Feito de um único vinhedo com 60 anos de idade.

O Finca Bela Vista ficou com o bronze. Frutas vermelhas e especiarias, chocolate e caramelo. Vinhas com um século de idade.

É uma pena que são vinhos pouco acessíveis no Brasil, papo de R$ 300 a R$ 400. Mas vale anotar a lista antes de viajar. Na Argentina o preço de qualquer vinho cai pela metade em relação ao que pagamos por eles no Brasil, e torna-se possível pensar na compra.

No caso, é certo que valem cada peso investido.

Os 10 craques da ‘Lista de Copello’: Viña Cobos Malbec Marchiori Vineyard / Achaval Ferrer Finca Bella Vista / Bodega La Rural Felipe Rutini / Yacochuya / Luigi Bosca Icono / Cheval des Andes / Bodega del Fin del Mundo Special Blend / Alpha Crux Blend / Trapiche Malbec Single Vineyard / Alta Vista Alto




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Se você não faz fotossíntese, veio ao lugar certo. Boca no Mundo é um blog para quem adora comer, cozinhar e se aventurar pelas mesas e balcões.

 

Acreditamos que o melhor da gastronomia pode estar tanto nas mãos de chefs estrelados como nas chapas de botequins desconhecidos.

 

Pedro Landim, o autor, escreve sobre comida e cultura no jornal carioca O Dia. Jornalista por amor às palavras, guloso por natureza.

 

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