Garrafa mágica – Boca no Mundo
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11 de março de 2013

Garrafa mágica

Degustando posts antigos do blog Boca no Mundo, encontrei registro de minha incursão ao reino do imperador Luiz XIII de Bourbon (1601-1643). O dia em que fui convidado para provar o Rei dos Conhaques e respondi: só não vou se morrer antes.

A história é mais ou menos assim: corria o ano de 1821 quando Rémy Martin III, da Maison Rémy Martin, misturou as primeiras reservas de velhos aguardentes que daria origem, em 1874, ao conhaque Louis XIII, combinação de 1.200 destilados de uvas originárias da região de Grand Champagne e envelhecidos em tonéis centenários de carvalho da província de Limousin.

O nome homenageia o rei porque foi em seu reinado que a família Rémy Martin se instalou na região de Conhaque, detalhe do extenso ‘almanaque’ ao redor da garrafa.

Na verdade, cada uma das garrafas ocupa 11 artesãos durante dois dias para soprar o cristal e vestir o gargalo em ouro 24 quilates. São depois decoradas com a flor de lis, réplicas de um cantil de metal encontrado no campo de batalha de Jarnac, entre católicos e protestantes, em 1569.

O preço do conhaque? A garrafa sai por cerca de R$ 9.200 na Lidador. E cinco unidades foram vendidas nos últimos anos. Há restaurantes e bares que oferecem a dose, algo em torno de mil reais. Como o Londra, por exemplo. Mil reais é também o preço da garrafa vazia.

Assim caminha o segmento de alto luxo, e põe alto nisso. Caso em que não há ponto sem nó: o jantar foi servido no Bistrô 66, cardápio do Thomas Troisgros, regado por bolhas de Piper-Heidsieck, a champagne, incluindo exemplares safrados em degustação que já valeria a noite.

(A ‘champa’ Rare Millésime 2002, vale comentar, traz no rótulo uma ‘coroa’ dourada destacável, que deve ser retirada pelo cavalheiro quando as coisas começarem a esquentar, para enfeitar a cabeça da princesa, como num conto de fadas).

Figo e sândalo

E finalmente o conhaque das galáxias aterrisou na taça. E quem esperava, como eu, por bebida de aromas ‘envelhecidos’, com menor potência alcoolica e gosto de madeira, se espantou.

A bebida invadiu a boca potente e elegante, encorpada em várias camadas de sabor e com persistência fora do comum. Um figo evidente, especiarias, “gengibre e sândalo”, como sugerem os produtores. E nada do gosto ir embora, mesmo após o café.

Convenhamos: uma bebida de R$ 9 mil não pode ser apenas muito boa…

Tartare de atum Troisgros

Peixe ao molho de manteiga, limão, passas e especiarias 

 




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