Mixologia cachaceira – Boca no Mundo
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21 de julho de 2014

Mixologia cachaceira

Campeão do Mundo, o Brasil mostrou todo o seu talento no Maracanã. Calma, não tomei o mesmo chá que o Felipão. Bebi foi ‘daquela que matou o guarda’, verdadeiro orgulho nacional. Não tem sido fácil ficar sóbrio, mas é fato que atuamos com alegria nos copos.

E fechamos o barril tascando a ‘marvada’ nas caipirinhas dos chefes de estado antes da final: a ‘branquinha’ São Miguel, de Quissamã (RJ), brilhou no cerimonial. Ganhou medalha de ouro no Concurso Mundial de Bruxelas, enfrentando tequilas, uísques e vodcas.

Foi a Copa do ‘engasga-gato’, vestido no uniforme clássico de limão, gelo e açúcar. O drinque oficial da destilação brasileira fez com o chope mais ou menos o que a seleção de Klose fez com a nossa defesa. E a Chuteira de Ouro foi para a bebida que nasce no canavial, produzida desde o início do século 16 por escravos e portugueses. O primeiro ‘tira-juízo’ das Américas.

Bulhufas:

Com a bola rolando, a Ceasa noticiou aumento de 10% na venda da frutinha verde, e bares como o Belmonte do Leblon registraram a saída de 1.600 caipirinhas em fim de semana de mata-mata. Teve quiosque de Copacabana vendendo coisa de 5 mil drinques diários, a maioria nas linhas alcoólicas da lei.

Como reza o Decreto 4.851, de 2 de outubro de 2003: “A Caipirinha é bebida típica brasileira (…) obtida exclusivamente com Cachaça, acrescida de limão e açúcar”. Ou seja: se qualquer outra fruta ou bebida for utilizada, podemos chamar de tudo o coquetel resultante, menos de caipirinha.

Revolução Brasileira:

A notícia promissora, no caso, é que o ‘suor de alambique’ é a bola da vez nas mãos dos mestres da mixologia carioca, no pleno exercício da Drincologia Brasileira — expressão utilizada no recém-lançado livro Carta de Cachaças do Estado do Rio de Janeiro, ode à bebida que conta a história de 17 alambiques prendados.

Segundo a obra, notas de compra da Família Real mostravam grande consumo de frutas e ‘bafo de tigre’ pelo serviço de quarto de Carlota Joaquina, pioneira no esporte das batidas.

A princesa manguaceira piraria na ‘caninha’ se estivesse por aqui para provar, por exemplo, o drinque Revolução Brasileira, do premiado barman Alex Mesquita, no Paris Bar. Servido em taça vintage, mistura a ‘mata bicho’ com sucos de laranja e framboesa, licor de cerejas Luxardo e bitter cítrico.

Ipanema Cooler:

A receita utiliza a Cachaça Yaguara, de canas plantadas em cultivo orgânico no Paraná, destilada em pequenos lotes na elogiada cachaçaria Weber Haus, no Rio Grande do sul. A marca chegou forte no Rio em parcerias comerciais com diversos bares.

O Meza Bar está servindo em garrafinhas o drinque Terezinha, onde o referido ‘assovio de cobra’ recebe suco de beterraba, banana e laranja, e xarope de gengibre. No Mr. Lam  há criações como o coquetel Gurya (foto de abertura), com a ‘danada’, Grand Marnier, xarope Monin de uva e soda.

Terezinha:

E no El Born, onde Gustavo Stemler comanda as garrafas, o Yaguara Sour é feito com a ‘dengosa’, limão, camomila infusionada e água de flor de laranjeira.

A mineira orgânica Encantos da Marquesa, de Indaiabira, região de Salinas, faz as honras no Volta, onde o bartender Thiago Politi sugere o Bulhufas, com infusão de beterraba, limão, espumante brut e talo de manjericão.

Prove aqui a cozinha de quiabos e moelas contemporâneas do Volta.

Brasil ao Cubo:

E a Leblon Signature, feita na mineira Patos de Minas e envelhecida por dois anos no carvalho francês, foi escolhida pelo barman Johny Araújo, no Stuzzi, para o drinque Pelé (que tem mais Copas que a Argentina, e aparece aí na montagem com o número 4): compota artesanal de caju, geleia de damasco, licro Amaretto, pedaços de caju e canela, servido em pote de vidro.

Passarinho não bebe nada disso, mas a gente pode.

PS. No texto há 11 sinônimos, entre os mais de 700 existentes para a cachaça.

Bebendo Por Aí

Academia da Cachaça. A Cocada Geladinha leva frozen de coco, água de coco e cachaça Rochinha, artesanal produzida em Barra Mansa (R$ 14,50). O Brasil ao Cubo tem cubos de gelo de lima, limão, jabuticaba, maracujá e cachaça Cristalina, mineira de Buenóppolis (R$ 13,50). Loja da Barra no Condado de Cascais. Av. Armando Lombardi 800, lj 65 L (2492-1119). Seg, de meio-dia às 17h. De ter a qui, de meio-dia à 1h. Sex e sáb, de meio-dia às 2h. Dom, de meio-dia às 20h. Cc: Todos.

Aconchego Carioca. Há caipirinhas especiais, preparadas com cachaça Magnífica, de Vassouras, como a de tangerina e manjericão, ou maracujá com hortelã e toque de pimenta biquinho (R$ 15). Rua Barão de Iguatemi 379, Praça da Bandeira (2273- 1035). De ter a sáb, de meio-dia às 23h. Dom, de meio-dia às 17h. Cc: Todos

Castro. A casa faz caipirinhas incrementadas com cachaça de alta qualidade: a mineira Claudionor, de Januária, envelhecida por um ano em barril de amburana, embala o drinque com caju e limão (R$ 13). Rua Castro Alves 88, Méier (3586-7622). Seg, das 11h30 às 15h30. De ter a sex, das 11h30 à 1h. Sáb, de meio-dia à 1h. Dom, de meio-dia às 18h. Cc: Todos.

El Born. O laureado barman Gustavo Stemler faz com a cachaça Yaguara o Bem Brasil, que leva carambola, maracujá, capim-limão e angostura (R$ 20). Rua Bolívar 17, Copacabana (3496-1781). De seg a sex, das 17h às 2h. Sáb e dom, das 15h às 2h. Cc: Todos.

Mangue Seco. Com a caninha Mangue Seco, de marca própria e produzida em Paraty, a cachaçaria faz drinques como o El Manguito, que leva limão, hortelã e soda limonada (R$ 16). Rua do Lavradio 23, Lapa (3852-1947). De seg a sáb, a partir das 11h. Cc: Todos.

Meza Bar. O drinque Terezinha leva cachaça Yaguara, suco de beterraba, banana, laranja e xarope de gengibre (R$ 25). Rua Capitão Salomão 69, Humaitá (3239-1951). De dom a qui, das 18h à 1h. Sex e sáb, das 18h às 3h. Cc: Todos.

Mr. Lam. Entre os drinques feitos com a Yaguara, o Gurya leva cachaça, licor Grand Marnier, xarope  Monin de uva e soda (R$ 29). Rua Maria Angélica 21, Jardim Botânico (2286-6661). De seg a qui, das 19h à 0h30, sex e sáb, das 19h à 1h, dom, das 13h às 23h. Cc: Todos.

Paris Bar. O premiado bartender Alex Mesquita criou o drinque Revolução Brasileira, que leva cachaça Yaguara, licor de cerejas Luxardo, suco de framboesa, suco de laranja e bitter cítrico (R$ 36). Praia do Flamengo 340, Flamengo (2551-1278). De ter a sáb, a partir das 17h. Cc: Todos.

Restô. O drinque Ipanema Cooler é preparado com cachaça Nega Fulô, de Nova Friburgo, Cointreau, syrup de morango, purê de morango e suco de limão siciliano (R$ 18). Rua Joana Angélica 184, Ipanema (2287-0052). Diariamente, de meio-dia à 1h. Cc: Todos.

Stuzzi. Criado para a Copa, o drinque Pelé é feito com cachaça Leblon Signature, feita na mineira Patos de Minas e envelhecida por dois anos no carvalho francês. Leva compota de caju artesanal, geleia de damasco, Amaretto e pedaços de caju, e é servido no pote de vidro (R$ 27). Rua Dias Ferreira 48, Leblon (2274-4017). Ter e qua, das 19h à 1h. De qui a sáb, das 19h às 3h. Dom, das 13h à meia-noite. Cc: Todos.

Volta. Um dos drinques feitos com aguardente é o Bulhufas (R$ 26), com cachaça mineira e orgânica Encantos da Marquesa, de Indaiabira, na região de Salinas, mais infusão de beterraba, limão, espumante brut e talo de manjericão. Rua Visconde de Carandaí 5, Jardim Botânico (3204-5406). De seg a qua, de meio-dia à meia-noite. De qui a sáb, de meio-dia à 1h. Dom, de meio-dia às 18h. Cc: Todos.




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