Hocus Pocus e o sorvete lupulado – Boca no Mundo
Home » Bar » Hocus Pocus e o sorvete lupulado
10 de outubro de 2017

Hocus Pocus e o sorvete lupulado

Cervejeria mais comentada de 2017 no Rio, e primeira vencedora na categoria Cerveja Artesanal do Prêmio Comer & Beber, da revista Veja Rio, a Hocus Pocus conseguiu apaixonar da mesma forma beer geeks e marinheiros de primeira viagem no mundo das artesanais.

A partir da Magic Trap, uma clássica belgian strong golden ale que foi e criação inicial, em 2014, a marca se dedicou a levar para dentro das garrafas e latas o psicodelismo dos rótulos que hipnotizam clientes nas prateleiras.

Em agosto de 2016, a Hocus lançou a Overdrive, primeira New England IPA do Rio, estilo – ou melhor, interpretação da American IPA nascida no nordeste dos EUA – que é bola da vez no âmbito das artesanais. De lá para cá, a cervejaria de Pedro Butelli e Vinícius Kfuri vem abrindo as torneiras para diversas novidades criativas, inspiradas em movimentos da onda craft norte-americana.

No Mondial de La Bière que começa nesta quarta-feira (11/10) no Rio, dois lançamentos chamam a atenção: a Rabbit Hole e a High on Milk, ambas produzidas com a adição de lactose. Bom, passo a palavra ao Pedro, que mandou o seguinte texto.

Anote Aí: Dez lançamentos comentados do Mondial de La Bière

A Rabbit Hole é uma Imperial Stout com cacau, aveia, coco, coco torrado, e nozes negras. Essa combinação cria uma cerveja que parece uma sobremesa, começando com o aroma fresco e tropical da combinação dos cocos, e terminando com o sabor terroso e amendoado das nozes negras, tudo equilibrado por um fundo de chocolate amargo intenso criado pelo cacau e com corpo altíssimo pela adição de lactose.

Resolvemos parar de inventar moda com desenhos e resolvemos, para o rótulo da nossa nova cerveja, simplesmente retratar o processo de fabricação da forma mais fiel possível. Simplesmente mostraremos nosso ponto de vista nada psicodélico e totalmente pé no chão retratando de forma técnica e não viesada seu processo de fabricação.

Primeiro, fazemos uma New England IPA de 7% ABV com os lúpulos El Dorado, Equinox e Galaxy, colhidos por algumas figuras bem estranhas e adicionados no finalzinho do processo de fabricação, fazendo com que só as características mais frescas e límpidas desses lúpulos apareçam.

Por enquanto, ela é só uma New England IPA. Aí ela é afogada em uma avalanche de morangos. Todos bem vermelhinhos, frescos, totalmente fotogênicos. Esses morangos dão um aroma frutado e um gosto azedinho à nossa (até então) NE IPA.

Depois, a baunilha. Nós sinceramente não sabemos como essa galera faz essa nuvem de baunilha que usamos, mas garantimos que é baunilha, é fresca, tem um aroma incrível, e essa nuvem cheia de duendes, índios, e um coelho pirata chamado Luiz Carlinhos é real e é a melhor fonte de baunilha que já encontramos.

Apesar de ser onipresente em doces e sorvetes por aí, nunca vimos ninguém mencionar esse método de colheita da baunilha, muito menos o Luiz, e estamos aqui corrigindo essa injustiça histórica.

Enquanto todo esse processo está rolando, estamos calmamente preparando uma calda densa, escura, grossa e fortemente concentrada de chocolate amargo. Dá vontade de mergulhar nela. Assim que essa calda é adicionada à NE IPA junto com lactose, morangos e baunilha, ela dá um aroma quase mastigável de chocolate e um corpo macio e aveludado a esse líquido que só pode ser chamado de cerveja por aqueles que atingiram um nível extremo de espiritualização que permite transformar o sensorial de uma cerveja em um sorvete líquido e refrescante.

Toda essa mistura feita em um parque de diversões lisérgico se chama High on Milk, uma Milkshake IPA que, se você fechar os olhos, vai fazer você jurar que está tomando um sorvete napolitano lupulado.




Nossa Casa

 

Se você não faz fotossíntese, veio ao lugar certo.

 

Boca no Mundo é o blog do jornalista Pedro Landim.

 

Um lugar para quem adora comer, beber, cozinhar, e falar de comida.

 

Sejam muito bem-vindos.