Confronto de boteco: Heineken x Brahma (1) – Boca no Mundo
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23 de abril de 2013

Confronto de boteco: Heineken x Brahma (1)

Um pequeno gole para o botequeiro, um grande salto de qualidade. A onda verde está varrendo os bares, e chega ao litoral com espuma consistente, lúpulo superior e malte de cevada.

A briga é de fermento grande, e a Heineken acaba de aplicar um mata-leão nas Brahmas e Antarcticas da vida: quebrou contrato de uma década e assumiu o patrocínio do Comida di Buteco, tirando ninguém menos que a Ambev, que detém 70% do mercado brasileiro, do maior evento de bares no País.

Negócios a parte, não é de hoje que a Heineken vem chegando com suas ampolas verdejantes de 600ml a botecos pé-sujos no Rio.

Notícia boa para amantes de cervejas mais encorpadas, já que se trata de uma bebida que alia consumo de massa no mundo todo a ingredientes superiores e maior complexidade de sabor contra o característico ‘não-sabor’ das cervejas mais bebidas no Brasil, representantes do estilo Standard American Lager.

A Heineken é uma Premium American Lager, e degustá-la ao lado de uma Skol é a melhor maneira de perceber a diferença.

Representantes do grupos das Lagers, são ambas cervejas de baixa fermentação nos tanques, mas feitas com ingredientes distintos. As leis que regem a pureza das ‘louras’ indicam, como se sabe, que a bebida seja feita de água, lúpulo e malte de cevada, com as necessárias leveduras. Ponto parágrafo.

As Brahmas e que tais, infelizmente, fazem da fundamental cevada ingrediente sem muita importância. Há cerca de 40% de adjuntos como milho e arroz na produção, e outros cereais não maltados. Perde-se sabor, nutrientes e capacidade de conservação, para começo de conversa.

Segundo artigo publicado pelo físico Rogério Cezar Leite na Folha de São Paulo, em 2009, o álcool proveniente da cevada fica em torno de 15% nas marcas citadas. Em visão tradicionalista, fica até difícil chamá-las de cerveja.

Diante do panorama, a Heineken é bem vinda. Além de utilizar apenas malte de cevada, tem maturação de 35 dias antes de ser engarrafada. Na Antarctica, o mesmo processo não passa de cinco dias, diminuindo sabor e aroma e mantendo teores mais altos de certos elementos químicos que a cabeça no dia seguinte conhece bem.

No caso da Heineken, entra em cena ainda a fermentação em tanques horizontais, com menor pressão nas levedura e maior desenvolvimento aromático conjugado à leveza do gênero.

Continua:  confira aqui a segunda parte do texto, sobre harmonização e mercado.

As fotos são reproduções da internet, menos a segunda, tirada no Bar Varnhagen, na Tijuca.




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